Uma movimentação recente nos bastidores da política de São José de Ribamar tem causado estranheza e preocupação entre lideranças e observadores mais atentos. O ex-prefeito Luis Fernando, ao defender uma suposta “união” entre oposição e situação, pode estar criando um cenário de instabilidade que ameaça apoios estratégicos e a própria harmonia do grupo que hoje governa o município.
A tentativa de inserir o ex-vice-prefeito Natercio Santos no mesmo palanque do prefeito Dr. Julinho e do líder político Dudu Diniz soa, no mínimo, como um erro de cálculo político. Em Ribamar, o histórico fala alto — e todos conhecem o currículo político de Natercio Santos, marcado por episódios de traição, conflitos internos e práticas que deixaram cicatrizes profundas em antigos aliados.
A presença forçada do ex-vice em um projeto de “união” tende a gerar resquícios, desconfiança e rachas internos em um grupo que, até aqui, se sustenta justamente pela coesão e pela confiança mútua entre suas principais lideranças.
O problema se agrava quando circula um vídeo tentando vender a imagem de que Natercio Santos teria o apoio de 11 vereadores. Em um momento sensível, com a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal se aproximando, esse tipo de exposição pode ser interpretado como ameaça política direta, inclusive pelo próprio prefeito. Política é percepção — e a mensagem passada não foi de somar, mas de impor.
A pergunta que fica é inevitável:
Vale a pena o governo colocar em risco cerca de 52 mil votos do prefeito Dr. Julinho e mais 36 mil votos do grupo liderado por Dudu Diniz para apostar em um nome sem lastro político, sem liderança consolidada e sem respaldo popular em São José de Ribamar?
A resposta, para muitos, é clara. O caminho mais prudente é manter Natercio Santos à margem do projeto, respeitando a vontade política do grupo e, principalmente, o sentimento da população e das lideranças que de fato constroem votos, alianças e governabilidade no município.
Forçar uma convivência política com alguém que não é bem-vindo entre os dois maiores líderes políticos de São José de Ribamar não fortalece a união — pelo contrário, fragiliza o projeto, gera ruído interno e abre espaço para crises desnecessárias.
Em política, nem toda “união” soma. Algumas apenas dividem.
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