A decisão firme do governador Carlos Brandão de permanecer no cargo até o fim do mandato e uma rumorosa onda de boatos sobre afastamento do chefe do executivo maranhense, incluindo operações da polícia federal em secretarias de estado, reacenderam denúncias de áudios vazados com o uso do nome do ministro Flávio Dino. Nas últimas 48 horas, uma ‘robusta’ matéria do site Diário do Poder e um pronunciamento, na câmara federal, do deputado Hildo Rocha (MDB), trouxeram o assunto à tona. Há informações seguras de que novos áudios podem ser divulgados, o que aumentaria o clima de tensão que envolve hoje o subdividido grupo que assumiu o comando do estado em janeiro de 2015.
A repercussão nacional da matéria
A publicação do Diário do Poder ampliou a visibilidade de um tema que já circulava com intensidade nos bastidores da política maranhense. A reportagem reuniu relatos e informações sobre mensagens e conversas em que o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal foi mencionado como suposto mentor de articulações políticas envolvendo o cenário estadual.
Segundo o conteúdo divulgado, a circulação desses materiais, mesmo sem confirmação oficial, contribuiu para intensificar o ambiente de desconfiança entre lideranças políticas. A narrativa apresentada aponta que o nome do ministro Flávio Dino estaria sendo citado em contextos de pressão política e disputas de poder, o que elevou o grau de tensão entre diferentes grupos.
A matéria também destaca que a ausência de posicionamentos públicos claros sobre os conteúdos que circulam mantém o tema em evidência. O resultado é um ambiente político marcado por versões concorrentes, interpretações divergentes e narrativas que extrapolam os limites do debate interno e alcançam repercussão nacional.
O pronunciamento no plenário da Câmara
O tema ganhou novo impulso após o discurso do deputado Hildo Rocha, nessa terça-feira, 24, na tribuna da Câmara Federal. Em pronunciamento formal, o parlamentar relatou episódios que, segundo ele, vêm sendo comentados no meio político maranhense e que envolvem o uso do nome de Flávio Dino em supostas ameaças e pressões.
Durante a fala, o deputado mencionou um vídeo gravado por um vereador do município de Colinas que afirma ter sido alvo de ameaças atribuídas ao deputado Márcio Jerry, ligado ao ex-governador. Segundo o relato apresentado na tribuna, teria sido mencionada a possibilidade de uma operação da Polícia Federal no município com o objetivo de atingir familiares do governador Carlos Brandão. Márcio Jerry rebateu o vídeo no mesmo dia, negando peremptoriamente ter feito tais ameaças. Disse, também em um vídeo, que a conversa com o vereador foi em relação a emendas parlamentares de sua autoria, após insinuações “sem fundamento” do parlamentar municipal.
Em outro momento do pronunciamento, Hildo Rocha também citou uma conversa que teria acontecido no ano passado, na qual um deputado maranhense afirmou que o ministro Flávio Dino teria defendido a renúncia de Brandão ao mandato até o início de abril para disputar o Senado. Caso isso não acontecesse, segundo o relato reproduzido no plenário, haveria a possibilidade de afastamento do governador por decisão judicial.
Ao tratar do tema, Hildo Rocha declarou preferir acreditar que o nome de Dino esteja sendo utilizado indevidamente por terceiros, sem autorização, como forma de pressão política ou tentativa de intimidação. Ele pediu que a informação fosse levada oficialmente ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal para que houvesse manifestação pública sobre o assunto.
O deputado também solicitou que o pronunciamento fosse divulgado pela “Voz do Brasil”, ampliando a publicidade do caso e reforçando o pedido de esclarecimentos institucionais.
A repercussão simultânea da reportagem nacional e do pronunciamento no plenário federal aumentou a tensão no cenário político maranhense. O episódio se soma a um ambiente já marcado por disputas internas, movimentações estratégicas e divergências dentro do grupo que governa o estado desde 2015.
Até o momento, não houve manifestação pública do ministro Flávio Dino sobre as citações feitas no discurso do parlamentar nem sobre os conteúdos mencionados na reportagem.
Fontes fidedignas falaram a O INFORMANTE sobre a existência de outros áudios gravados que poderiam vir à tona.