01 abril 2026

Análise: o risco de exportar o isolamento de Braide para o Estado


Eduardo Braide finalmente desceu do muro e anunciou o que todos já sabiam: quer o Palácio dos Leões. Mas o anúncio levanta uma questão que não cabe em um filtro de rede social: se Braide não conseguiu dialogar com 31 vereadores em São Luís, como pretende governar um estado com 217 municípios e uma Assembleia Legislativa que não aceita monólogos?

Vamos aos fatos…

Um “Secretariado de Enfeite”

A gestão Braide na capital virou um laboratório de instabilidade. O exemplo mais evidente está na condução da SMTT: sete secretários em pouco mais de cinco anos. Longe de indicar dinamismo, a sequência de trocas expõe um padrão de substituições recorrentes, quase sempre às vésperas de crises já delineadas — como se a mudança de comando pudesse, por si só, conter problemas estruturais. Some-se a isso a Secretaria Municipal de Comunicação, que há mais de um ano segue sem titular, evidenciando um prefeito que centraliza e asfixia quem “ousa” chefiar a pasta.

O Governo da Judicialização

Braide tem adotado uma estratégia perigosa: quando o diálogo falha — e ele falha quase sempre por falta de iniciativa do prefeito — a solução é correr para o Judiciário. O problema é que, enquanto o prefeito se ancora em liminares, a população amarga as consequências. Foram 11 greves de rodoviários em sua gestão. Enquanto ele briga nos tribunais, o trabalhador fica na parada.

No âmbito estadual, o litígio constante paralisaria o Maranhão. Prova disso é que, em todos os episódios de greve, o sistema semiurbano — sob responsabilidade do Estado — garantiu a continuidade do serviço. O Governo sempre se fez presente com seu corpo técnico, priorizando a negociação direta para resolver impasses, ao contrário do Município, que frequentemente depende de “canetadas” judiciais para solucionar conflitos.

A falta de diálogo tem preço, e quem paga é o contribuinte. O isolamento de Braide gerou o imbróglio dos R$ 19 milhões gastos com o aplicativo 99 — um montante drenado do tesouro municipal porque o prefeito não soube (ou não quis) sentar à mesa com as categorias e o legislativo para construir uma solução real.

Egocentrismo vs. Representatividade

A democracia é, por definição, um exercício de polifonia, jamais um monólogo autárquico. Ao longo de seis anos, Eduardo Braide cultivou um hermetismo institucional que não apenas ignora a liturgia do cargo, mas atropela a legitimidade de vereadores e representantes eleitos pelo voto popular. Esse egocentrismo político, que sobreviveu nos limites da capital sob o oxigênio das redes sociais, é quimicamente incompatível com o ecossistema estadual.

O Maranhão é um mosaico de forças centrífugas; tentar submeter 217 municípios ao isolamento de um gabinete é condenar o estado a um imobilismo anacrônico, onde a paralisia administrativa é o preço cobrado pela ausência de diálogo.

Se Eduardo Braide transformou a relação com a Câmara de São Luís em um campo de batalha jurídico, o que ele fará com a Assembleia Legislativa? O Maranhão aguenta um governador que governa de costas para os outros representantes do povo? São questões que precisam ser avaliadas pelo eleitorado.

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