02 junho 2026

Eliziane sobre verba para filme de Bolsonaro: ‘Tem que explicar cada centavo’


A senadora Eliziane Gama (PT) subiu o tom e questionou publicamente o destino final dos R$ 143 milhões de verbas públicas federais que, segundo investigação da Polícia Civil de São Paulo, seriam originalmente destinados a projetos de inclusão digital e instalação de redes Wi-Fi em comunidades vulneráveis, mas teriam sido ilegalmente triangulados e aplicados na produção do filme Dark Horse, que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a parlamentar enfatizou a urgência de respostas claras sobre o uso do orçamento estatal.

“Cento e quarenta e três milhões de reais, ou muito mais do que isso. A pergunta que eles não querem responder: dinheiro para o povo ou para os amigos do poder? Dinheiro público ou dinheiro privado?”, indagou a senadora, rebatendo as alegações de aliados do ex-presidente de que a operação se trataria de uma retaliação ou perseguição ideológica. “Não é perseguição. Existe uma investigação técnica da Polícia Federal [Civil]. O dinheiro era para atender a população”, declarou.

A senadora ressaltou que desvios dessa magnitude impactam diretamente a qualidade de vida do cidadão, uma vez que drenam recursos que deveriam amparar a infraestrutura social e os direitos básicos da população. “Quando falta investimento em saúde, educação, internet pública e serviços essenciais, quem paga a conta é o povo”, argumentou Eliziane.

A Operação Wi-Fi Livre, que teve como alvo o Instituto Conhecer Brasil – organização não governamental (ONG) de propriedade de Karina Ferreira da Gama, da produtora Go UP, que produziu o filme Dark Horse – busca mapear os fluxos financeiros entre emendas parlamentares, contratos com ministérios e os repasses finais efetuados para a produtora audiovisual. A PF também colheu depoimentos e realizou mandados de busca e apreensão para identificar o papel exato de servidores públicos e empresários no suposto esquema.

Para Eliziane Gama, a prestação de contas rigorosa deve ser exigida independentemente de posições ideológicas ou de quem esteja no centro do escândalo. “Não importa quem desviou, tem que investigar. Tem que mostrar os documentos e explicar cada centavo. Dinheiro público não é prêmio, não é patrimônio de político. É dinheiro do trabalhador brasileiro, e o povo merece uma resposta. Dinheiro público tem dono, e esse dono é o povo brasileiro”, concluiu a parlamentar.

A defesa da ONG e os representantes da produtora do filme ainda não se manifestaram detalhadamente sobre o teor das acusações, mas em notas preliminares anteriores negaram qualquer irregularidade na captação e aplicação das verbas destinadas aos projetos culturais e tecnológicos.

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