A crise enfrentada pelos Socorrões de São Luís ultrapassou o campo da saúde pública e entrou de vez na disputa política que antecede as eleições.
Após o governador Carlos Brandão criticar a situação das unidades de urgência e emergência da capital, a prefeita Esmênia Miranda reagiu afirmando que o governador deveria “respeitar quem salva vidas todos os dias”.
A resposta, no entanto, desloca o centro do debate. A crítica de Brandão não foi direcionada aos médicos, enfermeiros, técnicos ou demais servidores que atuam diariamente nos Socorrões, mas às condições estruturais e administrativas da rede municipal de saúde.
Os profissionais são justamente quem enfrenta diariamente a falta de leitos, equipamentos, insumos e a superlotação. A responsabilidade pela gestão, pelos investimentos e pela execução da política pública, entretanto, é da administração municipal, que administra os hospitais e define as prioridades orçamentárias da rede.
É verdade que o Estado também possui responsabilidade indireta sobre o sistema de saúde, especialmente diante da sobrecarga causada por pacientes encaminhados de diversos municípios maranhenses. Esse, inclusive, foi um dos argumentos apresentados por Esmênia Miranda. Ainda assim, a administração dos Socorrões permanece sendo atribuição da Prefeitura de São Luís, que responde pela manutenção, funcionamento e qualidade dos serviços oferecidos.
A troca de declarações evidencia uma estratégia comum na política: a disputa pela narrativa. Em vez de concentrar o debate na precariedade denunciada pelo governador, a resposta da gestão municipal buscou transformar a discussão em uma defesa dos profissionais da saúde — categoria que, na prática, também sofre diretamente com as deficiências da estrutura hospitalar.
Nos comentários da publicação feita por Esmênia nas redes sociais, a defesa da prefeita foi reforçada por integrantes do núcleo político e administrativo ligado a Braide. Entre eles estavam o irmão do ex-prefeito, Fernando Braide, a vice-prefeita licenciada e atual gestora, aliados políticos, integrantes da equipe de comunicação da Prefeitura, além do secretário e do secretário-adjunto de Comunicação, evidenciando uma mobilização em defesa do posicionamento da administração municipal.
Mais do que um debate sobre saúde pública, o episódio evidencia que a pré-campanha eleitoral já influencia o discurso institucional. Enquanto pacientes seguem enfrentando problemas históricos nos Socorrões, a Prefeitura de São Luís trava uma disputa política e de narrativas para definir quem assumirá o desgaste da crise na saúde pública da capital, em uma tentativa de evitar que seus efeitos respinguem na campanha de Eduardo Braide ao Governo do Maranhão.

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