10 julho 2021

Sarney se encontrou com Bolsonaro e Dirceu no mesmo dia


No mesmo dia em que Jair Bolsonaro fez uma visitinha a José Sarney, na última terça-feira, o ex-presidiário José Dirceu também esteve na casa do ex-presidente, em Brasília, diz Merval Pereira.

O encontro com o petista ocorreu horas depois da visita de Bolsonaro.

“Tanto um quanto outro foi atrás dos conselhos de Sarney, e não imaginavam que, à tarde daquele dia, a crise político-militar desencadeada pela CPI da Covid traria novos desdobramentos ao já tumultuado processo político brasileiro.”

Líder do Governo Flávio Dino na Assembleia abandona o sobrenome “Leitoa”


O líder do governo Flávio Dino na Assembleia Legislativa do Maranhão decidiu abandonar o sobrenome “Leitoa” e a partir de agora só será identificado por Deputado Rafael. A decisão é mais um capítulo da ruptura entre o parlamentar e o grupo comandado por Chico Leitoa em Timon.

De acordo com Rafael, não fazia mais sentido usar o Leitoa e lembrou que também não era seu sobrenome, que tem como nome de batismo: Rafael de Brito Sousa.

Desde o inicio do ano, Rafael foi excluído do Grupo Leitoa, após a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Timon. O ex-prefeito Luciano Leitoa atribui ao primo a derrota, uma vez que Uilma Resende (PDT), aliado do líder do governo, venceu a chapa montada por Celso Tacoani (PCdoB) que tinha o apoio da prefeita Dinair Veloso (PSB).

Rafael sempre negou envolvimento nessa disputa, mas Luciano, Chico e Dinair nunca acreditaram e decidiram por romper com o até então aliado.

Rafael Leitoa sempre foi o sobrinho querido de Chico Leitoa, alguns apontavam que ele parecia mais um filho, uma vez que as semelhanças físicas e a forma de atuar politicamente eram mais parecidas do que do próprio Luciano Leitoa.

Alguns apontam que a ruptura entre Luciano e Rafael começou desde a pré-campanha de Timon, quando o deputado estadual era apontado como melhor pontuado nas pesquisas. Mas por ciúmes, o então prefeito tinha bancado o nome de Dinair Veloso. A vitória veio com apenas 375 votos de diferença.

Agora, os laços foram rompidos e Rafael não tem outro caminho senão buscar a sua própria identidade e rumo. Ele também deve deixar o PDT nas próximas semanas e ir exatamente para o partido que o primo, Luciano Leitoa, presidia, o PSB, que segue sendo o partido da prefeita de Timon, Dinair Veloso.

Em 2022, Rafael deve enfrentar o seu Chico Leitoa na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa e os dois também deve polarizar uma briga doméstica.

Dino reforça PSB enquanto PSDB de Brandão permanece nanico


Desde que assumiu a presidência regional do PSB, no fim do mês passado, o governador Flávio Dino vem realizando movimentos com o objetivo de reforçar a legenda para o pleito de 2022, quando o ex-comunista concorrerá ao cargo de Senador.

Já mirando na eleição para prefeito de São Luís, em 2024, Dino filiou ao partido o deputado estadual Duarte Júnior, que disputará uma das 18 vagas para deputado federal.

Na última quinta, o governador comandou ato no qual ingressaram no ninho socialista seis secretários estaduais, quais sejam Jefferson Portela (Segurança Pública), Carlos Lula (Saúde), Rogério Cafeteira (Esporte e Lazer), Marcos Pacheco (Políticas Públicas), Catulé Júnior (Turismo) e Karen Barros (presidente do Procon/Viva).

Com exceção de Portela, que tentará eleger-se para Câmara Federal, os demais deverão concorrer a uma das 42 vagas para Assembleia Legislativa.

Na contramão do agora socialista, o vice-governador Carlos Brandão continua apático e o seu partido, o PSDB, permanece nanico.

Em 2020, presidido pelo senador Roberto Rocha, o tucanato maranhense conseguiu eleger apenas quatro prefeitos, ficando distante de siglas como PDT e PL, que elegeram 42 e 40 gestores municipais, respectivamente.

Eleições 2022: A ¨estratégia¨ de Josimar Maranhãozinho


O deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) foi o único dos líderes partidários do amplo arco de alianças do governador Flávio Dino que não assinou a ‘Carta Compromisso’ após reunião na última segunda-feira.

Josimar parece adotar uma estratégia “solitária”, tal qual fez nas eleições de 2020 em São Luís. E o roteiro é o mesmo. Ele lança um candidato, no caso de 2022 ele próprio – em 2020 lançou a mulher, a deputada estadual Detinha –, como pré-candidata, para barganhar uma vaga de vice em alguma chapa competitiva.

Sozinho agora, a estratégia é, lá na frente, se juntar a alguém que tenha plenas condições de vencer as eleições.

Agora, ele tenta blefar mais uma vez com uma pré-candidatura. Resta saber se ele conseguirá, mais uma vez, utilizar essa estratégia para se posicionar bem nas eleições.

Com as peças do tabuleiro político do Maranhão postas, o solitário Josimar parece fazer um jogo só seu, esquecendo do coletivo.

O destino pode ser mais uma derrota.

09 julho 2021

Exclusivo! O dossiê que apavora civis e militares do governo Bolsonaro


Tanto os lances finais da sessão da CPI da Covid que ouviu o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, como a reação dos comandantes militares às declarações de Omar Aziz (PSD-AM) sobre a existência de um “lado podre” nas Forças Armadas tem que ser interpretadas à luz de um fato novo: a crença de que está escondido na Europa um dossiê que Dias preparou enquanto estava no Ministério da Saúde para se blindar de acusações.

Depois que o cabo da PM Luiz Paulo Dominghetti declarou à CPI ter recebido de Dias um pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina e teve o celular apreendido, o ex-diretor de logística foi demitido e percebeu que não teria alívio na CPI.

Logo, começaram a circular nos bastidores de Brasilia informações de que o afilhado político de Ricardo Barros (PP-PR) tinha feito um dossiê sobre casos de corrupção no ministério e iria à comissão disposto a entregar todo mundo.

O recado chegou à CPI por meio de gente próxima a Dias e mesmo de jornalistas, configurando a guerra de nervos que se deu antes do depoimento.

Quando Dias se sentou diante dos senadores, a expectativa dos membros do G7, o grupo de oposição e independente que comanda a comissão, era de que ele fizesse como o deputado Luis Miranda ou o PM Dominghetti e, cedo ou tarde, fizesse alguma revelação bombástica. Não foi bem o que aconteceu.

Embora a toda hora alguém perguntasse se era verdade que ele havia emails da Casa Civil de Bolsonaro pedindo para “atender pessoas” – tipo de informação que segundo os senadores estaria disposto a dar na CPI –, Dias negou.

Mas, quando Aziz o pressionou para dizer se tinha feito mesmo um dossiê, o ex-diretor do Ministério da Saúde não confirmou, nem negou, criando um suspense que só aumentou a tensão.

Renan Calheiros (MDB-AL) ainda apertou Roberto Dias para dizer quem era Ronaldo Dias, seu primo que é dono do laboratório Bahiafarma – e que, segundo disseram à CPI, estaria com o tal dossiê. O ex-diretor apenas confirmou o laço entre eles e não disse mais nada.


E aí entram os militares

No governo Bolsonaro, o ministério da Casa Civil, citado nas perguntas dos senadores, tem sido ocupado por generais. Hoje, o general Luiz Eduardo Ramos. Antes, o general Walter Braga Neto, que agora está no ministério da Defesa, e que coordenou o comitê de esforços contra a Covid montado pelo presidente Jair Bolsonaro. Portanto, citar a Casa Civil num dossiê, como sugeriu Omar Aziz, não seria trivial.

De imediato, porém, quem saiu chamuscado do depoimento foi um coronel. Segundo Dias, era Elcio Franco, o secretário-executivo do ministério, quem concentrava todas as negociações de vacina.

A todo momento, Dias empurrava as responsabilidades para o 02 de Pazuello. O diretor de logística contou ainda que teve os principais subordinados substituídos por militares assim que Pazuello assumiu o ministério, deixando claro que havia uma rixa entre ele e os militares.

Nas palavras de um membro da CPI bastante experiente em ocupação de espaços no governo, “os militares chegaram ao ministério da Saúde e constataram que o território já estava ocupado pelo Centrão”.

Foi nesse clima que, durante a sessão, o presidente da CPI Omar Aziz sapecou ao microfone que “membros do lado podre das Forças Armadas estão envolvidos com falcatrua dentro do governo”.

E foi essa declaração que, pelo menos oficialmente, motivou a nota dos comandantes militares, dizendo que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.”

O saldo final da crise ainda está por ser medido. Ao longo da noite, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e vários outros senadores, se esforçaram para diminuir a temperatura do conflito com os militares, expressando respeito às Forças Armadas. A preocupação, porém, continua.

Até porque Roberto Dias saiu do plenário preso, acusado de mentir à CPI, e foi solto horas depois, sob fiança. Mas, mesmo sem ter dito nada, deixou no ar seco de Brasília a crença de que ele ainda tem guardado, em algum lugar, um dossiê que pode explodir a República, levando junto a imagem dos militares no governo.